A Produção Orgânica
A Agricultura Orgânica pode ser definida de diversas maneiras devido
à multiplicidade das características envolvidas.
Uma boa definição é esta que que diz que é "um método de agricultura que
visa o estabelecimento de sistemas agrícolas ecologicamente equilibrados e
estáveis, economicamente produtivos em grande, média e pequena escalas, de
elevada eficiência quanto à utilização dos recursos naturais de produção e
socialmente bem estruturados, que resultem em alimentos saudáveis, de
elevado valor nutritivo e livres de resíduos tóxicos, e em outros produtos
agrícolas de qualidade superior, produzidos em total harmonia com a natureza
e com as reais necessidades da humanidade" (Paschoal, 1990).
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, 1980) define
Agricultura Orgânica como sendo "um sistema de produção que evita ou exclui
amplamente o uso de fertilizantes, agrotóxicos, reguladores de crescimento e
aditivos de rações animais, elaborados sinteticamente. Tanto quanto
possível, os sistemas agrícolas orgânicos dependem de rotações de culturas,
de restos de culturas, estercos animais, de leguminosas, adubos verdes e
resíduos orgânicos de fora das fazendas, bem como de cultivo mecânico,
rochas e minerais e aspectos de controle biológico de pragas e patógenos,
para manter a produtividade e a estrutura do solo, fornecer nutrientes para
as plantas e controlar insetos, ervas invasoras e outros organismos
daninhos".
A base para o sucesso do sistema orgânico é um solo sadio, bem
estruturado, fértil (macro e micronutrientes disponíveis às plantas em
quantidades equilibradas), com bom teor de húmus, água e ar e boa atividade
biológica, pois é o solo e não o adubo que deve nutrir a planta. O solo deve
estar sempre coberto para evitar erosão.
No sistema de produção orgânica utilizam-se o cultivo múltiplo e a
rotação de culturas, pois isso torna a cultura menos suscetível a pragas e
patógenos e dificulta o aparecimento de plantas invasoras, devido à
diversidade dos organismos do agroecossistema.
É preferível para o agricultor, quando possível, utilizar variedades
para o cultivo, pois assim torna-se viável a produção de sementes na
propriedade, e não há dependência de empresas para sua compra, como ocorre
com híbridos.
O controle de ervas invasoras, pragas e doenças é feito através de
controle biológico, com solarização, criação e soltura de inimigos naturais,
armadilhas e agrotóxicos naturais.
Deve-se utilizar de forma adequada máquinas e implementos agrícolas para
não danificar a estrutura e a vida do solo.
A integração da agricultura com a criação animal na propriedade é de
extrema importância, pois o esterco pode ser transformado em composto, muito
importante para a agricultura orgânica. Os animais devem preferencialmente
receber ração produzida na própria fazenda, ter instalações adequadas e
pastejar livremente. Devem ser tratados com homeopatia, aromaterapia,
fitoterapia e imunização.
A agricultura orgânica visa também o bem estar do agricultor, a
preservação da sociedade rural e costumes e a auto-suficiência do pequeno
agricultor.
O sistema orgânico requer mais mão de obra e mais cara, mas a não
utilização de insumos como fertilizantes nitrogenados (os mais caros),
agrotóxicos, etc., o maior valor dos produtos orgânicos no mercado e algumas
vezes maior produção que no sistema convencional fazem com que o lucro de um
produtor orgânico seja igual ou maior que de um convencional.